
Argus é um personagem interpretado por Nikolas Raposo na campanha Ravenloft: Segredo das Brumas.
"No meio da noite, quando o álcool não é o bastante para me apagar, eu ainda escuto o som de unhas pequenas arranhando a madeira por dentro."

Aparência
Um homem de aproximadamente 45 anos com o porte robusto e as mãos calejadas de um carpinteiro, embora sua postura seja permanentemente curvada pelo peso da culpa, fazendo-o parecer um velho exausto que carrega um caixão invisível nas costas.
Seus cabelos são cinzentos e ralos, emoldurando um rosto marcado por rugas profundas, olhos avermelhados pelo álcool e uma barba rala que exala um cheiro persistente de bebida forte e solo úmido.
Ele veste uma cota de malha desgastada sobre roupas cinzas sempre manchadas de terra fresca nos joelhos, ostentando como ferramentas de sua penitência uma pá de ferro reforçada e um cantil de metal amassado com a letra "B" entalhada rudemente.
Seu olhar é opaco e evita contatos diretos, transmitindo a aura sombria de alguém que passou tempo demais em cemitérios e que agora vê o mundo apenas através da lente do luto e do dever forçado.
Personalidade
Amargurado e cínico, cuja bondade não nasce de uma esperança vibrante, mas de um senso de dever fatalista e de uma lealdade quase obsessiva.
Ele é movido por um medo profundo da condenação eterna e por um auto-ódio que o torna ranzinza e direto, preferindo o conforto entorpecente do seu cantil ao calor de conversas fúteis.
Apesar de seu pessimismo constante e de sua visão fria sobre a finitude da vida, ele atua como um protetor incansável, manifestando sua compaixão de forma bruta ao se recusar a permitir que qualquer aliado cruze o limiar da morte, agindo menos como um herói iluminado e mais como um zelador desesperado que não suporta o peso de mais um túmulo em sua consciência.
Família
Lenora
Esposa (falecida)
Bram
Filho (falecido)
Aliados
Aliados
Inimigos
Inimigos
"O silêncio é o pior inimigo de um pai. No meio da noite, quando o álcool não é o bastante para me apagar, eu ainda escuto o som de unhas pequenas arranhando a madeira por dentro. Eu mesmo construí aquele baú com o melhor carvalho que pude encontrar. Eu o fiz para durar gerações, e ele durou o suficiente para se tornar o túmulo do meu filho."
— Argus, Clérigo da Sepultura
Argus construiu sua vida inteira ao redor do cheiro de serragem e da solidez da madeira. Antes de conhecer as sombras e o sangue das estradas, ele era um mestre carpinteiro altamente respeitado em sua cidade natal. Suas mãos ásperas possuíam uma precisão incomum para entalhar móveis resistentes e belos, criando peças que pareciam ter uma alma própria. Ele acreditava que seu trabalho era a fundação material sobre a qual as famílias construíam seus lares e suas histórias.
Foi exatamente através de seu ofício meticuloso que ele cruzou o caminho de Lenora. Argus era o artesão contratado para cuidar da manutenção das pesadas portas de carvalho e dos altares do templo local, um lugar dedicado aos deuses que zelam pelo limiar da morte. Lenora servia ali como uma acólita devota, ensinando aos fiéis que o fim da vida era uma passagem natural e serena. Eles se apaixonaram pelo contraste perfeito entre o mundo físico que ele moldava e a espiritualidade profunda que ela carregava.
O nascimento do pequeno Bram trouxe uma alegria indescritível para a vida do casal, completando a família que ambos tanto desejavam. Infelizmente, uma doença súbita e implacável levou Lenora prematuramente, deixando Argus em um estado de luto profundo. Incapaz de suportar o peso das memórias que assombravam cada cômodo da casa que ele mesmo construíra, o carpinteiro decidiu deixar a vila para trás, buscando na cidade grande um recomeço e um futuro digno para o filho.
A preparação para a partida foi silenciosa e carregada de tristeza. Argus vendeu quase tudo o que possuía e preparou uma pequena carroça para enfrentar as estradas longas e perigosas da região. Entre os poucos pertences selecionados para a jornada, o mais valioso era um baú de viagem impecável que o próprio carpinteiro havia construído para Lenora anos antes. O objeto era uma obra de arte em carvalho maciço, feito com encaixes perfeitos e ferragens grossas, utilizado pela esposa para guardar suas vestimentas cerimoniais e o amuleto sagrado de sua ordem.
A viagem começou sob uma atmosfera pesada e melancólica. Argus tentava se manter forte e otimista na frente de Bram, contando histórias sobre a cidade grande e esculpindo pequenos brinquedos de madeira durante as fogueiras noturnas. No entanto, o cansaço físico e a dor constante pela ausência de Lenora começaram a cobrar o seu preço, deixando o homem exausto e com os reflexos visivelmente lentos.
O destino revelou sua face mais cruel durante uma noite fria no meio de uma floresta densa. O acampamento simples de pai e filho foi atacado de surpresa por rastejantes dos túmulos, criaturas peçonhentas e asquerosas que espreitavam nas sombras. Durante a confusão e o desespero para afastar as bestas com pedaços de lenha em chamas, uma das criaturas conseguiu picar Bram. O veneno daquele monstro não causava a morte imediata, mas induzia a vítima a um estado de paralisia profunda e hipotermia severa, simulando perfeitamente o fim da vida.
O pânico cegou a razão do carpinteiro quando ele viu o filho imóvel no chão. Bram estava gelado, com os músculos rígidos e sem qualquer pulso ou respiração que o pai pudesse notar no escuro da floresta. Temendo que os predadores retornassem para devorar o corpo da criança, Argus tomou a decisão mais desesperada e instintiva possível. Ele esvaziou rapidamente o baú de viagem de Lenora, deitou o menino lá dentro e selou a pesada tampa de carvalho, garantindo uma proteção robusta contra qualquer fera.
Após enterrar o baú em uma cova rasa e marcar o local com pedras, o homem correu alucinado pela estrada até alcançar a taverna do vilarejo mais próximo. Com a mente estilhaçada pela dor, ele comprou a bebida mais forte disponível e começou a afogar seu luto em frente a estranhos. Foi nesse momento de embriaguez profunda que um caçador local escutou sua história e revelou a verdade devastadora sobre o ataque. O estranho explicou com frieza que o veneno daquelas criaturas era apenas um sedativo paralisante que perdia o efeito após algumas horas.
A corrida de volta para a floresta foi um pesadelo prolongado pela bebedeira e pelo terror. Quando Argus finalmente alcançou a cova improvisada e desenterrou a caixa de madeira com as próprias mãos sangrando, o pior já havia acontecido. Bram acordara de seu torpor no escuro e morrera asfixiado dentro do recipiente selado. A visão das unhas quebradas do menino e os arranhões rasgados no interior daquela tampa de carvalho duradoura provaram a Argus que sua maior obra de carpintaria havia se tornado a máquina de execução do próprio filho.
A compreensão de sua falha monumental destruiu o que restava da sanidade do homem. Ajoelhado na terra úmida com o corpo do menino nos braços, Argus pegou a mesma pá que usara para desenterrar o baú, determinado a acabar com a própria existência ali mesmo. Ele não via mais sentido em respirar num mundo onde sua ignorância e seu medo custaram a vida da única pessoa que lhe restava amar.
No exato instante em que ele se preparava para o golpe fatal, o amuleto sagrado de Lenora queimou contra o seu peito com um frio cortante e sobrenatural. Uma paralisia divina tomou conta dos seus músculos, acompanhada por uma intuição silenciosa e esmagadora enviada pela entidade cultuada por sua falecida esposa. Argus compreendeu imediatamente que o suicídio seria um insulto irreversível à ordem natural das almas. Se ele cometesse aquele ato de covardia, seria condenado ao Muro dos Infiéis e passaria a eternidade no vácuo, totalmente impedido de reencontrar Lenora ou de pedir perdão a Bram no pós-vida.
A divindade não agiu por misericórdia, mas cobrou uma dívida cósmica. Argus caminhou até o grande templo da ordem na capital, não como um devoto em busca de iluminação, mas como um prisioneiro assumindo sua cela. Durante anos, ele varreu o chão de pedra gélida, limpou os altares e memorizou os ritos fúnebres de maneira mecânica e apática. A magia sagrada fluiu para o seu corpo desgastado como uma pesada algema, obrigando-o a viver cada dia como uma penitência dolorosa até que os deuses decidissem que sua fiança estava totalmente paga.
Argus é atualmente um combatente moldado pelo desespero, embora deteste o título sacerdotal e não faça pregações luminosas. Seus poderes mágicos não se manifestam com brilhos celestiais ou cânticos de cura milagrosa, mas sim como intervenções agressivas de quem se recusa a aceitar mais perdas. Ele utiliza sua magia de forma amarga, garantindo que nenhum inocente caia antes da hora e que nenhuma abominação morta-viva ouse violar o descanso que ele próprio negou ao filho.
O tempo e o sofrimento cobraram um preço alto de sua aparência física. Ele é um homem com os ombros curvados pelo peso da culpa, o rosto marcado por olheiras profundas e as mãos sempre calejadas de segurar o cabo de sua pá de coveiro. Seu acessório mais constante não é um tomo sagrado, mas sim um cantil de metal amassado com a inicial de Bram entalhada de forma rudimentar. Ele consome bebida alcoólica incessantemente, buscando entorpecer a própria mente e abafar o eco imaginário de arranhões na madeira que sempre retorna quando o silêncio se instala.
Ravenloft: Segredo das Brumas | Temporada 1
Campanha em andamento.
Como a maior parte dos personagens do jogador Nikolas, o nome do personagem começa com a letra A. O nome Argus vem da mitologia grega (Argos) e o significado principal é "vigilante" ou "aquele que tudo vê", mas ele falhou na única vigília que realmente importava (a do filho).
Ficha (DND Beyond)

Apelidos Apelidos
Títulos O Coveiro
Pronomes Ele/dele
Raça Humano
Classe Clérigo
Grave Domain
Idade 52
Idiomas Idioma
Idioma
Locais Barovia
Ravenloft
Jogador Nikolas Raposo